Digitalização do acervo da FMRB fortalece a preservação da memória nacional
Em um país que tem enfrentado perdas irreparáveis em seu patrimônio cultural, seja por incêndios, enchentes ou pela negligência com acervos históricos, a digitalização surge como uma medida estratégica, urgente e necessária.
Nesse cenário, a Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) desponta como uma aliada fundamental na preservação da história recente do Brasil, especialmente no que diz respeito ao período da redemocratização, iniciado em 1985 com a eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney. Hoje, todo o acervo da Fundação já está digitalizado, o que representa um marco importante na garantia de acesso, segurança e permanência desses registros históricos.
Detentora do único acervo presidencial localizado no Nordeste, a FMRB resguarda um conjunto vasto e diverso, que transita entre o museológico, bibliográfico, audiovisual e documental. São mais de 1 milhão de documentos — entre agendas, cartas, acordos diplomáticos, despachos, memorandos e relatórios —, 50 mil fotografias, 800 vídeos e uma biblioteca com mais de 24 mil livros, incluindo mais de 3 mil obras raras. Um processo contínuo, considerando que o acervo permanece em constante atualização.
Desde 2021, a Fundação tem investido fortemente na digitalização desse patrimônio. Já são mais de 2,7 milhões de imagens digitalizadas, além de milhares de documentos históricos preservados nos arquivos da instituição. Somam-se a esse esforço as 3.668 obras raras já digitalizadas e também protegidas fisicamente na Biblioteca Padre Antônio Vieira. O resultado é um conjunto de alto valor histórico, agora mais seguro diante dos riscos do tempo e, acima de tudo, acessível às futuras gerações.
A nova diretriz do Plano Nacional Setorial de Museus (PNSM) 2025–2035, lançado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), reforça a importância da preservação digital como um dos eixos estruturantes da política museológica para a próxima década, dado que se apresenta em plena sintonia com o trabalho que a FMRB já vem realizando. A diretriz 2.9 orienta a criação e regulamentação de procedimentos para a salvaguarda, preservação e difusão de acervos nato-digitais e digitalizados, além de incentivar o uso de tecnologias da informação e comunicação em museus, pontos de memória e redes museológicas. Ao antecipar-se às metas do plano, a FMRB reafirma seu compromisso com a memória democrática e se consolida como referência nacional na transformação do patrimônio histórico em memória digital acessível.
Ao investir em tecnologia e inovação, a Fundação não apenas preserva documentos e obras raras: reafirma seu compromisso com a democracia, com o direito à memória e com o acesso público à história da redemocratização do Brasil.
Diante da fragilidade estrutural de muitos acervos e espaços de memória no país, e dos riscos crescentes ao patrimônio histórico, esse trabalho representa uma forma de resistência por meio da memória digital, que conecta passado, presente e futuro.